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Posted 21/10/2017 by Mauro Correia in Magazine
 
 

3 motivos que fazem ‘Blade Runner 2049’ a ficção científica deste século



Qual a melhor ficção científica que você viu nos últimos anos? Ex Machina? A Chegada? Looper? A partir de agora, será Blade Runner 2049 – que chega nesta quinta-feira (5) aos cinemas.

Como o título adianta, o filme se passa 30 anos após o original (de 1982), dirigido por Ridley Scott e inspirado no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick. Na trama, a Tyrell Corporation, que construiu os primeiros andróides, deu lugar a uma nova empresa administrada por um novo gênio com um complexo de deus. Niander Wallace (Jared Leto, que felizmente não comprometeu) conseguiu fazer o que Tyrell jamais conseguiu: criar replicantes confiáveis e que, portanto, podem caminhar livremente entre humanos. Mas ainda há unidades renegadas e escondidas – e é aí que andróides como K (Ryan Gosling) entram. Enquanto aposenta um velho replicante, K tropeça em um mistério que tem o potencial de mudar as relações entre humanos e replicantes.

Contar essa história sem decepcionar os fãs da franquia foi o desafio de Denis Villeneuve. E seu sucesso vem de três pontos básicos:

Uma festa para olhos e ouvidos

Um futuro distópico e sujo precisa ser incrível de se ver – e é a isso que o filme se dedica. Todos os elementos imagéticos ajudam a compor um quadro esfumaçado em neon que, unido aos sons invasivos e eletrônicos da trilha sonora, formam um sonho lúcido. Um sonho que esperamos 30 anos para ter.

Perguntas não respondidas

O Blade Runner original é considerado perfeito justamente por apresentar um problema e não resolvê-lo, deixando um final aberto que dispensava uma sequência. A sequência existe, contudo, e respeita o original na medida em que levanta outros problemas – mais simplórios até – sem passar por cima daqueles. Rick Deckard é um replicante? 30 anos depois, não sabemos dizer.

Dramas tecnológicos

O lado humano em histórias que envolvem tecnologia avançada é o que prende quem asssite à tela. E o charme de Blade Runner é que o lado humano vem de andróides. K tem dramas existenciais relacionados a seu passado e seu presente. Infância, família e amor, preocupações banais para qualquer pessoa – inclusive para as fabricadas.

Nenhum desses pontos, comuns a todas as ficções científicas que prestam, se destacam como atração principal do filme. Mas é a excelência na realização deles que transforma Blade Runner 2049 em um filme obrigatório – e na melhor ficção científica desde muito tempo (talvez desde 1982).

Da GQ Berasil
Por Felipe Blumen